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Erotika Town

Conheça a Railane Alves, embaixadora da Erotika Town

Em um evento que nasceu para quebrar tabus, devolver o corpo às pessoas e relembrar que prazer é também conhecimento, Railane Alves se tornou uma das vozes da Erotika Town. Educadora sexual, sensual coach, bruxa desde a infância e mulher que transformou dores em movimento, ela representa exatamente o que nosso festival acredita: coragem emocional, autoconhecimento e libertação.

Railane Alves | Embaixadora da Erotika Town | Dia 6 de setembro, dia do Sexo, lançamento do festival | Crédito: J Domingos

Railane chegou à Erotika Town pela porta mais bonita que existe: a verdade. A verdade do próprio corpo, da própria história e da missão que abraçou: informar, acolher e lembrar mulheres (e homens) de que a liberdade íntima começa dentro. Sua estreia como embaixadora foi arrebatadora.

No palco, ela entregou vivência. No workshop, ela entregou corpo. No talk, ela entregou caminho. E fora de tudo isso, ela entregou presença, conexão e propósito. Nessa entrevista exclusiva para o blog da ETXP, Railane abre sua trajetória, suas sombras, suas luzes, seus aprendizados e sua visão sobre sexo, energia, toys, movimento, amor-próprio e poder pessoal. É uma conversa que atravessa, cura e expande.

Boa leitura e boa libertação.

Fui mãe bem jovem, aos 15 anos, porque na minha época de adolescência não se falava abertamente sobre sexualidade nas escolas. Não tínhamos internet para buscar informações, e os pais evitavam a todo custo esse assunto com os filhos. Eu acreditei nas amigas que diziam que na primeira vez não se ficava grávida, e acabou rolando sem nenhum cuidado ou preservativo. Foi uma gestação solitária e cheia de dúvidas, assim como foram os meus primeiros meses como mãe.

Foi ali que decidi que gostaria de fazer algo para contribuir com a informação dos jovens sobre seu próprio corpo e sexualidade. Vi na sala de aula a possibilidade de fazer isso acontecer. Com a pandemia, um tratamento que me deixa imunossuprimida e a observação de tantas mulheres que conheço — que estavam “apagadas” pela falta de entendimento da própria sexualidade seja por estarem em relacionamentos abusivos ou por não
explorarem o próprio corpo e prazer — percebi que esse tema estava mais atual do que nunca e decidi atuar nas redes sociais.

Comecei a mostrar que todas nós podemos ser livres, independente de profissão, credo ou estado civil — todos podemos ser livres das amarras que recebemos e das que também vamos criando ao longo da vida. A Erotika Town foi amor à primeira vista! Quando abriram as inscrições para embaixadores não pensei duas vezes para participar e após as primeiras conversas com a Fada, eu tive certeza de que queria fazer parte desse evento lindo, que amo e tenho tanto orgulho. Na Erotika Town temos duas coisas essenciais pelas quais sou apaixonada: qualidade na informação e libertação para viver a sua verdade.

Ela entende que o amor próprio, o desejo, a libido e a excitação precisam vir primeiro de si mesma. Somos criadas para agradar homens e esperar ser validadas por outras mulheres, mas tudo isso vai embora quando descobrimos e experimentamos a delícia que é se desejar, se amar e viver intensamente a própria sexualidade, tendo o outro apenas como complemento, e não como parte principal desse processo.

Railane demonstrando técnicas de dança sensual para quem estava acompanhado e quis já aprender na hora com seus pares durante o festival Erotika Town, no dia 6 de setembro de 2025 | Créditos: J Domingos

Principalmente entre as mulheres, ainda existe a ideia de que é errado e pecaminoso explorar o próprio corpo. Muitas acham que a masturbação é o ponto final da interação sexual, quando é totalmente o oposto! Os toys e acessórios permitem uma variedade de autodescobertas, sensações e prazeres incríveis, que inclusive melhoram o sexo com outra pessoa. Além disso, proporcionam prazer e relaxamento em momentos a sós. Ainda há muita vergonha em falar sobre isso, mesmo sendo algo natural a todo ser humano.

Quando se trata dos homens, muitos acreditam que acrescentar algo no sexo tira o protagonismo do pênis e acabam vendo toys, produtos e acessorios como rivais, até mesmo um simples gelzinho! Por isso, na Erotika Town queremos cada vez mais incluir esse assunto e fazer todos entenderem que não existe nada de errado em explorar o próprio corpo. Em um relacionamento, esses acessórios são aliados contra a rotina, o tédio e a monotonia, nunca o vilão.

É até difícil falar! Terminei a primeira edição muito realizada por encontrar pessoas que se permitiram vivenciar tudo aquilo que, com tanto carinho, oferecemos. É uma satisfação profissional e pessoal imensa ver que a sexualidade,algo que deveria ser comum e natural, ainda traz tantas prisões internas. Essas prisões refletem no humor, na alegria, na autoestima e em tantos outros campos da vida. Ver o público se permitir estar ali, isento de críticas e julgamentos, e incentivar todos a ser, ver e viver sua verdade é emocionante. É um trabalho que pretendo levar como missão de vida.

Me descobri bruxa aos 11 anos, quando tive acesso a um tarô em miniatura que veio numa revista esotérica. Ao começar a ler para os colegas da escola, eu simplesmente entendia e sabia tudo! Virou uma febre na época, até professores pediam consultas. Dali pra frente comecei meus estudos sobre espiritualidade, energia, astros, chakras, deuses e deusas… ali começou a minha busca pela liberdade de viver a minha verdade.

O borderline veio anos depois, quando percebi nos meus relacionamentos uma dependência doentia do parceiro. Eu queria fazer de tudo pra não perder e, ao mesmo tempo, me julgava indigna, ruim, não merecedora do “homem incrível” que estava comigo. Na tentativa de não perder o amor,
aceitava imposições: sobre o que vestir, com quem andar, como me comportar e todo tipo de controle que definissem pra mim, apagando meu verdadeiro eu, minha essência. Uma pessoa borderline é um imã de narcisistas. Nisso, o amor próprio desaparece, só o outro é bom, só o outro sabe, só o outro é melhor. Me libertar disso e entender meu valor me fez enxergar tantas pessoas incríveis em situações parecidas que dá vontade de tirar dali na marra! Como não posso, incentivo o amor próprio para que cada um encontre o caminho da sua liberdade e viva relacionamentos saudáveis, começando por si mesmo.

Já a artrite reumatoide é uma doença que, em épocas de crise, já me fez ficar dependente até para ir ao banheiro. Ela vem com um diagnóstico pronto de rigidez e foi aí que coloquei a dança, a sensualidade e o movimento como cura. Me recuso a aceitar um diagnóstico que me limita. Esse tesão pela vida, pela dança e pelo movimento tem sido muito positivo no tratamento e me empodera como mulher, me dando forças para enfrentar cada desafio.

O que me motiva é a essência da Erotika Town: liberdade, autoconhecimento e empoderamento. Queremos que cada pessoa tenha poder sobre sua vida, sua libido e seu próprio corpo. Podem esperar de mim entrega, vivências e experiências criadas com muito amor, além de muita animação! Quero que todos que estiverem conosco saiam com aquele gostinho de quero mais, já pensando na próxima edição, enquanto vivem a liberdade que construímos juntos no evento. Aguardo vocês na Erotika Town – Cidade Mística para que você experimente, vivencie e descubra o que tem de melhor em você.