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Entrevistas

Uma conversa sem filtros com o Jheff, sócio proprietário do Sodoma Lounge Bar

Quem me conhece sabe: eu, Fada. não crio eventos, eu entrego experiências vivas. E quando o assunto é o ecossistema erótico, live marketing e a construção de comunidades reais, o meu olhar é clínico. Para que uma noite seja verdadeiramente inesquecível, a escolha do venue não é só logística, é alma, é conceito, é arquetípica.

Inaugurado agora em 2026, o Sodoma não pediu licença; ele chegou ocupando espaço com elegância, audácia e uma estrutura milimetricamente pensada para acolher todas as camadas do desejo. O que muitos levam anos para construir, o Jheff e sua equipe conquistaram em meses: criaram um refúgio de sofisticação e liberdade que começou arrebatando a cena fetichista, mas que tem potência de sobra para furar qualquer bolha.

Nesta entrevista exclusiva para o blog da Erotika Town, mergulhei no universo do Jheff, Jeferson Ferreira Vaz, um empresário de visão 360°, cuja trajetória transita com a mesma maestria entre o rigor da gestão de negócios, o topo dos concursos de leather do país e a coragem de vivenciar a vulnerabilidade do BDSM sem máscaras.

Falamos sobre a arquitetura dos desejos, a arte de bem receber, a fusão entre negócios e comunidade. Pegue seu drink favorito e conheça mais sobre o Jheff, seus projetos e sua nova casa KINK, a melhor de São Paulo.

Jheff: Antes de abrirmos houve muita preparação e captação de público pois junto com meu marido já trabalhávamos dentro do mercado erótico e de entretenimento adulto pois éramos donos da loja fetichista Mr Daddy, e organizamos vários eventos em diversas casas de SP, como a leather night no bar Dominatrix, o roteiro fetichista que uniu marcas parceiras pra crescer juntos – já que o mercado erótico tem tanta dificuldade de usar as ferramentas mais comuns – e que dessa união de marcas e também da necessidade de unir os diferentes grupos fetichistas que frequentavam os eventos em um so lugar, nasceu o Mr Fetiche Brasil que se tornou hoje o maior evento fetichista do Brasil tendo recebido jurados internacionais e sendo reconhecido por grandes nomes na cena global. Então quando decidimos abrir o Sodoma nós já sabíamos que a comunidade fetichista estaria do nosso lado pois já somos referência na cena e sabemos muito bem quais são as falhas e maiores reclamações das pessoas em todo lugar, e nessas necessidades que capitalizamos, faltava um lugar de socialização elegante, com estrutura, conforto, que fosse aconchegante e não intimidador, que tivessem ambientes diferentes pras pessoas circularem e curtirem diferentes momentos da noite, os mais calmos e tranquilos aos mais agitados e quentes. E somos muito críticos aos lugares que frequentamos com relação a atendimento então na nossa casa garantimos que todes serão bem tratades e cuidades, pois um bom conceito atrai, e um ótimo atendimento fideliza.

Jheff: Foi um trabalho muito meticuloso, pois públicos diferentes tem necessidades diferentes, então tudo foi calculado pra que ninguém se sentisse deslocado. Tivemos ajuda de uma empresa de consultoria chamada Consulthar que fez todo o planejamento de cozinha e bar pois esse é um território novo pra nós, e junto com a Casa 7 arquitetura planejamos os demais ambientes, pensando sempre na criação de um universo ali dentro onde cada um se sentisse em casa de alguma forma. A casa é planejada pra ter circulação pelos ambientes, no salão as pessoas tem um ambiente mais claro, com musica ambiente e decoração vintage que da aquele aconchego de sala de jantar da família, onde qualquer um vai se sentir a vontade, seja fetichista ou curioso. Nesse mesmo andar temos o lounge, onde é uma sala de descompressão, sem música, com sofás e poltronas pras pessoas relaxarem e recarregarem as baterias, ou lerem alguns dos livros que temos em nosso acervo que falam sobre fetiche, sexualidade e religião, e falando em religião os símbolos estão presentes de forma respeitosa, tanto do cristianismo quanto de religiões de matriz africana.

Entrada pós portaria | Sodoma Lounge Bar
Lounge | Sodoma Lounge Bar

Ao subir pro segundo andar, a atmosfera muda completamente, luz baixa e uma decoração mais industrial e com quadros mais explícitos decoram a nossa pista de dança onde o DJ toca num púlpito e temos uma cruz de santo andre no palco pra performances, ou cenas de pessoas exibicionistas, nesse andar o clima é mais quente, de flerte, dança, conquista, e pegação, e quando as coisas esquentarem demais é hora de ir pras áreas de interação, em Sodoma, temos 2: O dark room equipado com sling é voltado mais a práticas sexuais, disponibilizamos camisinha (interna e externa), lubrificante e teste rápido de HIV pra que todos curtam com segurança. E temos a masmorra equipada com sling, cruz de santo andre e cavalete, mobílias voltadas para o BDSM e fetiches em geral e que são cedidas pela Desire Moveis, além de ter chicotes, floggers e palmatória disponíveis pra qualquer um experimentar, mesmo quem não tem nenhum acessórios consegue experimentar mais de 10 tipos de chicotes diferentes cedidos pela BDSM Luxury. E pra finalizar temos um fumodromo aberto e arejado com lugar pra sentar e bem arborizado pra manter aquele conforto de casa. Socialização, relaxamento, aprendizado, flerte, dança, gastronomia, coquetelaria, sexo, sodoma tem de tudo e vc pode escolher qual parte quer participar pois tudo tem lugar.

Masmorra | Sodoma Lounge Bar
Fumódromo | Sodoma Lounge Bar

Jheff: Acredito que a Erotika Town e Sodoma tem muito em comum no quesito liberdade sexual, respeito, elegância e comprometimento com a experiência do cliente. E furar a bolha fetichista para mostrar todo esse universo para o mundo é incrível e muito importante, tenho certeza que novas portas se abrirão.

Eu, Fada com Jheff, no Sodoma Lounge Bar durante gravações de campanha do Baile da Fada

Jheff: Estar em todos os lados desses eventos me deu uma visão 360° da cena, pois já organizei, e também competi e venci, então como organizador eu aprendi muito sobre fluxo da experiência, organizar e comandar pessoas, juntar empresas pra patrocinar projetos maiores, e com isso criar conexões que são valiosas até hoje, aprendi a como fazer um mega show e entreter as pessoas por bastante tempo. Como candidato, eu aprendi que o fator comunidade é imprescindível, as pessoas querem e precisam pertencer, se identificar, e serem acolhidas. Tudo isso me faz construir Sodoma sempre voltado pras pessoas, e toda sua diversidade, e estar presente, pertencendo, e ouvindo tudo que a comunidade quer e precisa, me da o direcionamento que preciso.

Jheff: A única constância no universo é a mudança, o ser humano ta em constante transformação, pelas nossas vivências e ambientes, e negar isso so traz dor. Eu fui dominador por 8 anos, aprendi e me diverti bastante nessa posição e até me casei com meu submisso que está comigo até hoje, mas dentro desses 8 anos eu também mudei muito como dominador, hora querendo 24/7, hora preferindo sessões, hora mais rígido, hora mais cuidador e controlador, se adaptar e renegociar os acordos no meio do caminho é fundamental pra uma relação a longo prazo, isso sendo fetichista ou não, as pessoas mudam e isso é ótimo pois temos a chance de nos apaixonarmos novamente, e foi o que aconteceu. Quando o Dom Larbos (Guilherme, nosso namorado) entrou na nossa vida aos poucos ele foi tentando me dominar e eu no fundo sentindo vontade mas me julgando e reprimindo, até que começamos a praticar em segredo, e ai deu um click na minha cabeça: eu que me assumi gay aos 9 anos de idade, que nunca nem quis ficar dentro de armário nenhum, nem mesmo como fetichista, ia ficar escondendo meus desejos e prazeres a essa altura da vida? E eu fui surpreendido, pois assumir essa minha vontade dentro do meu relacionamento me trouxe muito mais pra perto do meu marido (que continua sendo submisso junto comigo), tendo mais empatia, mais companheirismo, e abriu novos leques de possibilidades interessantes.

Assumir isso pra sociedade foi um choque necessário, pois um dominador tao respeitado e conhecido ser visto de joelhos gerou uma confusão generalizada, mas que abriu espaço pra uma conversa que deveria ter iniciado a muito tempo, pois muitas pessoas tem vergonha de assumir seus desejos e prazeres, quando isso deveria ser motivo de orgulho, lutamos pelo respeito e acolhimento, deviamos oferecer isso também, e me surpreendeu o quanto isso foi recebido de forma positiva, e foi um dos argumentos que usei na candidatura a Mr Leather Brasil 2026, seja quem você é, sem medo, sem vergonha, com orgulho, e isso basta.

Jheff: Importante falar que submissão e dominação são jogos de troca de poder feito por 2 ou mais pessoas com consentimento, e normalmente numa esfera erótica, mesmo que não sexual tem um erotismo envolvido. Isso não acontece nas minhas relações de trabalho, lá todos sabem muito bem quem eu sou e me respeitam, afinal eu que estou dando os direcionamentos todos os dias, durante a operação eu sou o Jheff, nem sub nem dom, o sócio proprietário Jheff, com postura e comprometimento.

Jheff: Estamos vivendo um boom de sexualidade, onde não param de surgir novas festas, eventos, encontros, o fetiche e a sexualidade estão na moda, na música, nos filmes, no teatro, em todo lugar, porém tudo isso é feito de forma quase que 100% estética, onde se pensa pouco na experiência e na educação teórica, não de forma chata e monótona, mas que as pessoas possam ter uma comunidade pra se apoiar e aprender, trocar e praticar, e isso dificilmente se faz numa festa onde o objetivo é quantidade e superficialidade. O Sodoma quer ser a casa do fetichista, mas que está sempre de portas abertas para curiosos e baunilhas que gostam de explorar os diversos cantos da nossa sexualidade tão plural.

Fada: Para encerrarmos, o mercado erótico e de entretenimento adulto é um ecossistema gigante e vibrante: que mensagem você gostaria de deixar para esse público que está ansioso para viver essa experiência e conhecer o Sodoma?

Jheff: Nunca deixem o medo te impedir de viver o extraordinário.

O Sodoma Lounge Bar não é apenas mais uma casa noturna em São Paulo; é a prova viva de que quando existe visão de negócios, respeito à comunidade e paixão pelo que se faz, o extraordinário se torna o novo padrão.

A conversa com o Jheff reforça exatamente aquilo em que eu acredito e defendo diariamente na Erotika Town: o mercado erótico é maduro, profissional, plural e merece espaços que tratem o desejo com a sofisticação, a segurança e a infraestrutura que ele exige. Se ler sobre essa estrutura impecável e essa filosofia de acolhimento já dá arrepios, imagina viver tudo isso de perto?

Descubra mais sobre a casa, Jheff e programação intensa que a casa traz semanalmente nos links a seguir:

E te espero no dia 24 de outubro para uma jornada de 12 horas de festival.
Beijos mágicos,
Fada!